Fantasmas psicológicos

Há certas coisas que são como uma bola na garganta da vida da gente.

Muitas das vezes, sabemos que bola é essa, mas sabemos, também, que ela não pode ser retirada. Palavras do ego, a matriz controladora e protetora.

Antes que isso vire uma viagem que só eu mesma possa entender, serei mais objetiva.

As pessoas tendem a julgar comportamentos alheios, tirar mil conclusões, e pior, tendem a crucificá-los, em alguns casos. Não serei hipócrita de dizer que eu nunca fiz isso, mas creio que estou com um passo mais à frente por chegar à conclusão de que isso é um grande problema na vida de uma pessoa. Como poderemos julgar um comportamento que é apenas a ponta de um iceberg, desconsiderando as milhares de variáveis que vieram a produzí-lo? Me apropriando das sábias palavras de Caetano Veloso, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Ora essa. Quantas vezes fazemos comentários que censuram alguém, sem saber dos porquês da pessoa fazer isto ou aquilo. Ou melhor, sem saber da “dor de ser o que é”.

Às vezes somos responsáveis por transformar algo que já é doloroso em algo pior ainda. Somos responsáveis por aumentar a “dor de ser o que se é” por pura irresponsabilidade de julgar alguém sem saber de sua história de vida. Esmagamos sentimentos e ferimos corações a todo momento.

Depois de chegar a tais conclusões, eu penso: Deus me livre dessa mania de julgar.

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Caindo no escuro

Amor, amor.. quão famoso você é
Tento entender a tua importância, e me vejo perecendo diante desta
Não entendo ainda, pra que tanta urgência, mas necessito..
Necessito experimentar o que meu corpo chama e minha alma pede

Passo a passo descubro as vantagens do escuro, procuro me instalar nele
Opção? Não.
Talvez necessidade

Amor, amor.. pra que tanta confusão?
Esse mistério é charme, é inteligência submissa
Busco o mais belo e encontro a valorização do supérfluo
Da esperança meu corpo se ergue, sabendo da sentimental prova de fogo
Talvez tu sejas belo demais para se permitir ser enxergado diante da desajustada vivência
E talvez só aqueles que pouco desejam possam te encontrar

 

 

Agosto/2008

O que é imperdoável?

Vou começar meu post com uma passagem do livro “Quando Nietzsche chorou”.

” – Quando você entrou no meu quarto hoje e anunciou sua recuperação, Josef, fiquei devastado! Fiquei tão terrivelmente ensimesmado, tão desapontado por perder minha razão de ser junto a você, que não consegui me rejubilar ante a boa nova. Essa espécie de egoísmo é imperdoável.

– Que imperdoável! – replicou Breuer. – Você mesmo me ensinou que somos compostos de muitas partes, cada qual clamando por expressão. Podemos ser responsabilizados apenas pelo acordo final, não pelos impulsos caprichosos de cada uma das partes. O que você chamou de egoísmo é perdoável precisamente porque você se preocupa suficientemente comigo para compartilhá-lo comigo agora. Meu desejo de despedida, caro amigo, é que a palavra “imperdoável” seja banida de seu léxico.”

A culpa e a cobrança excessiva minam as experiências de diversas pessoas. Somos seres errantes e sempre seremos. Então, o que conta, afinal, nesta vida?

O “acordo final”, enfim.

Temos impulsos negativos, pré-disposições a comportamentos inadequados…e quem não tem? São características que fazem parte da nossa particularidade e nem sempre temos muito poder sobre isso. Saber da existência delas e procurar exterminá-las demonstra a grandeza de caráter que vale mais que qualquer impulso inferior.

O que mais importa é o que você faz após cada erro cometido.

Fechar a cara e se sentir um lixo não vai ajudar.

Tentar colocar a culpa em outrém, também não.

Enganar a si mesmo, se fazendo de vítima, muito menos.

Solução? Aceitação.

Se não nos aceitarmos, nunca teremos coragem de admitir nossos erros, e então consertá-los e transformá-los. Creio que grande parte dessa dificuldade de nos aceitarmos vem do medo de como esse “lado negro” vai repercutir em nossas relações mais queridas. Temos medo, sim, que as pessoas não nos aceitem como somos. Temos medo de afastá-las e de não sermos compreendidos.

Natural e compreensível, mas ter esse medo não é a melhor opção.

Podemos afastar algumas pessoas, ser mal compreendido por outras, mas o que importa é o progresso da nossa individualidade, ou vamos ficar para sempre negando a nós mesmos diante dos outros?

Coragem.

As pessoas certas ficam. As situações convergem sempre para o que é melhor para nós, em nome do nosso crescimento e felicidade. Seja o afastamento, seja a proximidade, o que nos acontece tem sempre uma razão de ser. Mas, é claro, não deixamos de ter grande parcela de responsabilidade sobre os acontecimentos de nossas vidas.

Por isso, faça a sua parte e deixe a vida fazer o resto.

Viva, ame, converse, divida, ria, chore tendo sempre em mente o que verdadeiramente importa: você.

E o ato de amar a si próprio está intimamente ligado ao amor por outrem. Se você ama, você não quer perder. Você quer merecer. Então se ame um pouco mais, permita-se ser quem você é, observe seus defeitos, aceite-os, erre, peça desculpas, reflita sempre sobre os erros, exercite uma outra conduta, pratique, pratique, pratique… sim, com boa vontade você se supera.

E agora finalizo com uma passagem de Jung, um psicólogo que eu admiro demasiadamente, para validar e reforçar o pensamento do post.

“Que eu faça um mendigo sentar-se à minha mesa, que eu perdoe aquele que me ofende e me esforce por amar, inclusive o meu inimigo, em nome de Cristo, tudo isto, naturalmente, não deixa de ser uma grande virtude. O que faço ao menor dos meus irmãos é ao próprio Cristo que faço. Mas o que acontecerá, se descubro, porventura, que o menor, o mais miserável de todos, o mais pobre dos mendigos, o mais insolente dos meus caluniadores, o meu inimigo, reside dentro de mim, sou eu mesmo, e precisa da esmola da minha bondade, e que eu mesmo sou o inimigo que é necessário amar?”

Carl Gustav Jung

Os primeiros (e pequenos) passos

Chega um momento em que você sabe que alguma coisa mudou. Pode não ser algo grandioso, uma mudança monumental, mas pode ser o início de grandes passos que continuarão a vir no futuro. Os fatos, as atitudes, os acasos formam de pouco em pouco o que chamamos de vida. De presente em presente, um futuro se constrói, caracterizando como passado o que nos levou ao estágio em que nos encontramos.

Como diria Dalai Lama (espero que eu esteja certa): “só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito: o ontem e o amanhã. Portanto, hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer, se dedicar e, principalmente, viver!”

O presente nem sempre é valorizado como deveria ser. Creio que o motivo para tal descrédito seja o fato de que ninguém consegue dar uma virada na vida de um dia pro outro, nem tampouco grandes transformações individuais e morais acontecem de forma tão rápida. Tudo o que almejamos e precisamos ter vem do planejamento, construção e, principalmente, motivação e persistência. Então, cada dia é um pequeníssimo passo nesse caminho e, por isso, parece tão insignificante. Talvez para os que não conseguem ver além e não sabem da importância de se ter FÉ.

Fé: mecanismo de sobrevivência inato daqueles que acreditam em Deus e na sua providência. Daqueles que sabem que nada vem para o mal e, mais que tudo, que nada é eterno nessa vida. Nem mesmo a vida como a conhecemos.

Portanto, o presente parece nada, mas é muito. O presente é o que determinará o futuro, então ele deveria ser levado mais a sério.

Percebo isso olhando para o meu passado e enxergando o que mudou de lá pra cá, podendo dizer que foram muitas coisas. Mas algumas delas nasceram comigo, e eu não fiz muita coisa para mudá-las. Mas a vida fez. Acho que, por conta dessas providências que a vida toma, eu esteja em processo de transformação.  Pouca coisa mudou, mas esse “pouco” é a parte mais importante…é o começo. Bom, você não deve estar entendendo direito o que eu to falando…

É sobre a cruz que cada um carrega. Você também tem a sua.

Portanto, quando eu olho pra trás eu começo a enxergar quais são meus desafios vendo o quanto do meu passado ainda persiste em meu presente. O sentido da linha do tempo é que as coisas mudem, e o futuro não pode ser uma cópia do passado. O PRESENTE É UM PRESENTE! Está aí para não deixar isso acontecer.

Bom…

Bom…

Voltando ao início desse texto, em algum momento você sente que não é a mesma de antes. Muitas coisas acontecem para nos tirar do lugar, levando-nos pra frente, se assim nós permitirmos. Ou então, nós mesmos podemos nos levar pra frente.

“O que a vida quer da gente é coragem”.

Então vamos ter coragem para diminuir o peso das nossas cruzes. Coragem para usarmos nossa paciência na  vivência de cada dia. Assim, no futuro, poderemos olhar pra trás e dizer que valeu a pena.

Uma romântica incurável.

Nos meus sonhos eu me vejo pela europa, passando por veneza, paris, madri…tudo isso uma mera imaginação, já que nunca passei nem perto desses lugares. Mas você cria seus ideais, seu mundinho como imagina que deva ser, e isso não é tão à toa assim. Lá no fundo, no nosso inconsciente, talvez exista um motivo para aquele amor e encantamento que você tem por algo, mesmo sem nem conhecer.

Claro que o mundo à nossa volta influencia nessas escolhas. A mídia, principalmente. Mas existe aquilo que só você sabe como te faz feliz, se identificando sem motivos muito concretos.
Certas coisas realmente não possuem uma explicação.
A felicidade que vc sente com uma música, o asco que vc tem por algo ou alguém que nem conhece direito, a fantasia com algum lugar que nunca esteve antes…
Por isso eu acho que essa vida é feita, em grande parte, de sonhos. Sonhos do passado e do futuro. Sonhos do inconsciente, da memória adormecida. Muitos de nós fazemos planos para o futuro, criam metas de vida se identificando com algo, sendo que a razão para essas escolhas possui séculos de existência. Está marcado em nós e nem nos damos conta disso. Apenas sentimos que aquilo tem tudo a ver conosco.
Por isso eu não apenas acho, mas tenho certeza, que minha ligação com o Velho Mundo é muito forte. Parece que faço parte de lá mais do que imagino.
Mas, voltando ao início desse texto, falemos desse romantismo. Existe algum lugar melhor do que a Europa para um romântico?  Suas paisagens, sua cultura, seu clima, sua história, seus artistas… há encanto por toda parte. Viver um amor num lugar tão rico deve ser mágico.
Ah, esses sonhos…

Vai ou não vai? VAI!

Resolvi mudar. Dando adeus pra jornalismo e começando a buscar por uma vaga no curso de psicologia, um novo caminho de esperanças se abre na minha vida.

É uma injustiça você ter que escolher todo o seu FUTURO com apenas 17…18 anos de idade. Por isso que muitos escolhem e acabam mudando de ideia, como eu. O negócio é não perder tempo. Se algo está errado, MUDA. Se mexe, corre atrás, vai em frente.

Não posso afirmar que minha área é realmente a psicologia, pois nunca cursei. Mas, a julgar pelas minhas tendências pessoais, acredito muito que posso finalmente me encontrar aí. E o que é a vida, afinal, senão uma corrida pelo encontro de nós mesmos? E nessa corrida se erra, se arrepende, volta atrás, se arrisca, segue em frente, se frustra, se encontra…sempre buscando a satisfação pessoal.

O importante é estar sempre em movimento. Aperfeiçoando o que já está bom e transformando o que há de errado.

Empolgada!! =)

Como sou uma pessoa do SENTIR, do contato próximo, bem próximo e de infinitas indagações sobre a natureza humana e o seu pensar, acho que estou indo para o caminho certo.

Que assim seja, amém!!

Polêmica à solta.

Novo estardalhaço na mídia: a censura de um filme medonho pelo Estado.

Li o texto do colunista Luís Antônio, da Revista Época, e minha cabeça se viu numa luta entre os direitos de liberdade de expressão e os deveres do governo para com o bem maior. Ao final, acabei por concordar com a decisão do governo brasileiro. O filme A serbian film – terror sem limites, obra de estreia do diretor sérvio Srdjan Spasojevic, precisa sim, e muito, ser censurado neste país.

E então, o enredo: “um ator pornô é capturado e submetido a todas as variedades de horror, de sexo explícito à necrofilia. Uma das cenas mostra o estupro de um bebê recém-nascido.”

Esse filme beira o horror e, como disse a desembargadora, “Não se pode admitir e permitir que, em nome da liberdade de expressão, cenas de extrema violência física e moral, inclusive utilizando recém-natos, sejam levadas ao grande público, vez que podem provocar reações adversas, às vezes em cadeia, em pessoas sem equilíbrio emocional e psíquico adequado para suportar tais evidências de desumanidade”

O Luís Antonio fala “Quero ter o direito de escolher o que leio, o que vejo e o que consumo. Ninguém precisa nem está autorizado a fazê-lo por mim. “ . E eu penso que, assim como os pais têm o poder de vetar qualquer coisa que possa comprometer a formação dos filhos, o governo tem o DEVER de zelar pela formação deste país. Assim como muitos filhos ainda não têm capacidade de discernir as coisas, muitos brasileiros não têm um pingo de equilíbrio para ver um negócio desse. Além do mais, fere totalmente a dignidade da população. Os doentes que procurem uma forma de achar e assistir essa produção, porque só tendo a cabeça fora do lugar para ter a intenção de ver um filme nojento assim.

Há também um outro ponto abordado pelo colunista, o de que “O efeito da lei é inverso da proibição pretendida: a censura acaba promovendo o filme, como acontecia nos tempos da ditadura brasileira”. 

Discordo. Primeiro que, comparar o contexto da ditadura com a proibição de um filme imoral nos tempos hodiernos é esquecer que, naquele tempo, todos viviam censurados e qualquer coisa que fosse proibida, podia corresponder aos ideais de cada cidadão brasileiro, logo, havia sim uma grande curiosidade por parte dos mesmos. Hoje, no caso deste filme, a censura não é capaz de promovê-lo, quem o faz é a mídia, que cria um estardalhaço acerca da atitude do governo ao invés de parar de se preocupar com a censura em si e ver que certas coisas precisam sim de proibição em nome do bem comum.

É uma questão de educação, de instrução. Mas esse tema é meio utópico no Brasil, né mesmo?

Como disse um amigo meu, numa discussão sobre esse tema:

“Se todos tivessem a consciência crítica que o Luís Antônio tem, não precisaria haver censura. Infelizmente, a educação do Brasil não dá base pra isso, e o Estado ainda terá por um bom tempo esse papel de tutelar nossas escolhas.”

Pra quem quiser ler o artigo, aqui está o link http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI253962-15230,00-A+SERBIAN+FILM+TERROR+SEM+LIMITES+CENSURA+HEDIONDA.html

“Deus me livre de ser normal”

Como alguns que me conhecem devem saber, eu sou super fã dos colunistas da Revista Época. Mais precisamente Eliane Brum e Ivan Martins, os quais puxaram ainda mais a minha atenção pela imensa sensatez e sabedoria de suas palavras.

Hoje vim aqui para registrar uma das colunas de Eliane Brum, que escreve às segundas feiras. Selecionei trechos do seu texto para trazer as principais ideias. Acho que ela soube traduzir perfeitamente em palavras uma das maiores angústias do homem contemporâneo: como devo levar a minha vida, já que a liberdade atual extinguiu as seguras tradições?

” ‘Normose’ seria a ‘doença de ser normal’. O professor explica: ‘Como diz o título de um documentário que fizeram sobre mim: ‘Deus me livre de ser normal!’. Pois, na dita normalidade em que vivemos, somos constantemente alimentados pelo que nos aliena de nós. Com isso, perdemos a noção das coisas, do sentido de nossa vida, deixando que o mundo interfira muito mais do que deveria. (…) Essa normalidade nunca esteve tão distante da verdade’.

É aí que a “normose” ou o “comportamento de grupo” se encaixa. Qual é o desafio de cada um de nós hoje? Desde que você não esteja na faixa da população em que toda energia e talentos são gastos na luta pela sobrevivência mais básica, o desafio que se impõe diante de cada um é a busca da sua singularidade. E esta é a busca de uma vida inteira. Não como se você tivesse uma essência que precisasse encontrar e, tão logo encontrada, estivesse tudo resolvido. Pelo contrário, esta procura leva à invenção de nós mesmos – e nunca está nada resolvido, já que sempre podemos nos reinventar. Não sem limites, mas às voltas com eles.

E todos nós conhecemos gente, quando não nós mesmos, que prefere deixar tudo como está, ainda que doa, para não se arriscar ao desconhecido. É assim que muitos de nós abrem mão da época histórica mais rica de possibilidades de ser em troca de uma mercadoria bem ordinária: a ilusão de segurança. Mas, como sabemos, lá no fundo sentimos que algo está bem errado. Especialmente quando fica difícil levantar da cama pela manhã para seguir o roteiro programado.

Suspeito que o mal-estar contemporâneo tem muito a ver com não estarmos à altura do nosso tempo. No passado, havia ‘outsiders’, gente que desafiava a tradição para inventar uma outra história para si. Hoje, com a (bendita) falência da tradição, talvez o que se exija de nós seja que todos sejamos ‘outsiders’ à nossa própria maneira – não no sentido de contrariar o mundo inteiro, mas de encontrar o que faz sentido para cada um, arriscando-se ao percurso tortuoso do desejo. Ciente de que, logo adiante, vamos perder o sentido mais uma vez e teremos de nos reinventar de novo e de novo, num processo contínuo de construção e desconstrução movido pela dúvida – e não pelas certezas.

Vivemos numa época de intenso movimento interno, em que se perder seja talvez o melhor caminho para se achar, mas nos agarramos à primeira falsa promessa como desculpa para permanecermos imóveis. Voltados sempre para fora e cada vez com mais pressa, porque olhar para dentro com a calma e a honestidade necessárias seria perigoso. Queremos garantia onde não há nenhuma, sem perceber que o imprevisível pode nos levar a um lugar mais interessante. Podemos finalmente andar por aí desencaixotados, mas na primeira oportunidade nos jogamos de cabeça numa gaveta com rótulo. Ainda que disfarçada de vanguarda.

Mas o que pode ser mais extraordinário do que inventar uma vida, ainda que com todas as limitações do existir? E que utopia pode ser maior do que nos igualarmos pela singularidade do que cada um é?

Acho que vivemos um momento histórico muito rico. Só precisamos de mais coragem. Como diz o professor Hermógenes, do alto dos seus 90 anos, ‘Deus (seja ele o que for – ou não – para cada um) me livre de ser normal!’.  “

Harry Potter… um fenômeno.

Quantos de nós passaram cada ano de uma década ansiosos pela estréia de mais um filme da série? Quantos de nós temos Hogwarts em nossas cabeças como um lugar real onde a magia faz parte de toda a normalidade desse mundo? Bom, eu estou falando da magia advinda de feitiços e poções, mas, apesar de parecer real para nós, super fãs de Harry Potter, não existe de verdade. Mas há uma magia, sim, que vive em cada palavra escrita por J.K. Rowling, que é a magia da sabedoria e imaginação convertida em entretenimento para um público de crianças, adolescentes e até adultos. Joanne Kathleen Rowling é sim, a grande bruxa. Ela nos encantou com um mundo que, de tão rico em detalhes e descrições, nos pareceu real. Nos encantou com personagens tão peculiares e com a grandiosidade de suas participações em cada momento da história. Todavia, acima de tudo isso, ela nos encanta com sua imensa sabedoria, traduzindo, em livros, lições de vida para milhões de pessoas.

Aqui, uma pequeníssima amostra de mensagens disfarçadas nas falas de Dumbledore:

*São as nossas escolhas que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades.

*Não vale a pena mergulhar nos sonhos e esquecer de viver.

*Embora venhamos de lugares diferentes, falemos línguas diferentes, nossos corações batem como um só.

*As palavras são a mais poderosa forma de magia.

Tanto para mim quanto para tantos outros, as histórias de Harry Potter despertaram uma nova paixão por livros. O hábito da leitura, posto em risco por tantas novidades do mundo atual, ganhou força com esse fenômeno de 7 livros. A partir daí, é de se acreditar que muitas crianças tenham ganhado mais gosto pela leitura, e eu tiro por mim mesma. Antes de Harry Potter eu lia o que me era imposto. Depois de Harry Potter eu passei a buscar, por mim mesma, todo o conhecimento possível que os livros podem trazer. Passei a gostar, a amar, a leitura. Ela é a única capaz de amenizar as aflições humanas, e de nos levar para mundos outros, nos dando a possibilidade de nos refugiarmos quando preciso.

Tenho orgulho de ter sido uma fã fiel desde o primeiro livro e filme e, por isso, ao assistir o último, as lágrimas caíam naturalmente, diante da certeza de que aquilo era o fim e não haveria mais a ansiedade anual de pré lançamento. Certeza de que não haveria mais histórias para alimentar meus sonhos e fantasias, posto que aqueles enredos eram como espelhos dos meus ideais imaginativos. Não haveria mais em quem e no que me espelhar quando a minha mente procurava um refúgio da realidade, pois, aqueles personagens e aqueles cenários, bem como todos os detalhes como músicas e figurinos, parecem que vieram diretamente da minha imaginação e do meu ideal de perfeição. Não estou exagerando, sempre me identifiquei com tudo o que era exposto nos filmes, não poderia ser melhor que aquilo. Não para mim.

Inglês e curiosidades

 Estudando um pouco sobre a Inglaterra, me deparei com informações curiosas as quais resolvi partilhar aqui.

Você sabia que “Nos meios intelectuais das classes mais privilegiadas dos países de língua inglesa existe até hoje uma tendência a um uso maior de palavras de origem latina”  ?

Isso se deve à conquista, no passado, da Inglaterra pelos normandos (um povo do norte da França) na Batalha de Hastings. Guilherme, duque da Normandia, foi o líder dessa vitória. Com isso, desencadeou-se não só uma drástica reorganização política, mas também uma alteração nos rumos da língua inglesa, marcando o início de uma nova era.

“O regime que se instaurou a partir da conquista foi caracterizado pela centralização, pela força e, naturalmente, pela língua dos conquistadores: o dialeto francês denominado Norman French. Durante os 300 anos que se seguiram, principalmente nos 150 anos iniciais, a língua usada pela aristocracia na Inglaterra foi o francês. Falar francês tornou-se então condição para aqueles de origem anglo-saxônica em busca de ascensão social através da simpatia e dos favores da classe dominante.”

Existiam palavras de origem germânica, as quais, ou acabaram desaparecendo, ou passaram a coexistir com os equivalentes de origem francesa, em princípio como sinônimos, mas, com o tempo, adquirindo conotações diferentes. Exemplos: 

                              ANGLO-SAXÃO                                                                   FRANCÊS

answer
begin
bill
chicken
clothe
come
end
respond
commence
beak
poultry
dress
arrive
finish
fair
feed
folk
freedom
ghost
happiness
help
beautiful
nourish
people
liberty
phantom
felicity
aid
hide
house
hunt
kin
kingly
look
mistake
conceal
mansion
chase
relations
royal
search
error
pig
sheep
shut
sight
wish
work
yearly
pork
mutton
close
vision
desire
labor
annual

De acordo com o norte-americano Pat Brown, voltando ao início deste post:

The split between the French-speaking Normans and peasant English-speaking Saxons still exists today in a curious fashion. The Normans, as the conquerors and rulers, became the upper-class of England and their speech metamorphosed into today’s well-educated English – composed primarily of Latin-based vocabulary. The common everyday speech of most modern English speakers however is still directly based on the Anglo-Saxon.

Qual a participação dos celtas (os nativos da Inglaterra) na formação da língua inglesa, eu não sei. Estes, ao pedirem proteção às tribos germânicas (dentre elas, os Anglos e Saxões), acabaram sendo dominados por elas, e assim a cultura original foi sendo negligenciada. Portanto, se houve alguma influência celta, esta foi infinitamente superada pela anglo-saxônica, além da francesa.

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